Matéria publicada no dia 11 de janeiro de 2013, no NOVO JORNAL
Era uma vez uma cidade construída somente para as crianças.
Reza a lenda que os brinquedos eram coloridos, as árvores eram bonitas e que
até mesmo no lago central os cisnes transportavam os pequenos em um passeio bem
divertido. Mas um certo dia, ninguém sabe precisar direito, um monstro terrível
começou a engolir a cidade, assim como Atlantis foi engolida pelo mar.
Seu nome era burocracia, tão terrível quanto os mais terríveis
monstros da história. Ele conseguiu fechar as portas da cidade e afastar
definitivamente os seus donos de lá. A vegetação cresceu, o lago ficou sujo e
assim o monstro foi ficando mais forte, restando, portanto, aos mais velhos ou
às crianças crescidas contar a história daquele lugar que um dia foi a divertida Cidade da Criança.
Hora de acabar o conto e começar a matéria. Pequenos, peçam
agora que seus pais lhes expliquem melhor as próximas linhas. Pais, comecem
explicando a seus filhos que de acordo com a previsão contratual, eles vão
poder passar o próximo 12 de outubro na cidade delas já que a previsão para o
término das obras que vão revitalizar a Cidade da Criança é o mês de setembro.
No entanto, para que esta matéria também não seja uma história
da carochinha, o jeito é esperar que nenhum imprevisto atrapalhe o andamento
das obras, a começar pela energia elétrica. Passa das oito da manhã pouca coisa
quando o mestre de obras Açu Eris informa à reportagem que desde a retomada do
serviço, em novembro do ano passado, o local não possui energia elétrica.
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| Foto: Ney Douglas/ NJ |
“Por isso que a gente tá fazendo basicamente só os trabalhos
manuais”, explica o mestre de obras enquanto os demais trabalhadores batem o
cimento para ajeitar o nível das calçadas. “A palavra de ordem da reforma é
acessibilidade e estamos regularizando as alturas para que tudo fique dentro
das normas”, explica Açu apontando para a grande rampa que está sendo feita na
entrada do auditório.
O tempo sem energia serviu principalmente para que o expediente
(das 07 às 12h e das 13h às 17h) fosse aproveitado para a retirada do mato que
tomava conta da paisagem. “A gente trabalhou até agora mais na limpeza mesmo
porque para onde você olhasse era só mato. Não sei a conta exata, mas muito
mato saiu daqui, fora uma árvore que caiu porque estava podre”, conta.
Ainda de acordo com Açu outro problema que está atrapalhando
o andamento das obras é a incerteza com relação ao projeto que vem sendo
modificado constantemente. Para exemplificar ele aponta algumas partes do novo
auditório que está sendo construído e diz que vários ajustes vão precisar ser
feitos por ali. “O local onde vai ficar as portas, por exemplo, sem falar que
eu já mexi na borda do palco que era mais arredondada”, explica. “Mas estamos
trabalhando sempre com um fiscal. Ele é que indica tudo que precisa ser feito”,
garante.
O engenheiro responsável pela obra, José Roberto, da Secretaria
de Infra Estrutura do Estado afirma que já existe um projeto definitivo e que
as obras estão dentro do cronograma previsto. “Reiniciou-se em novembro e
desde então já tiramos mais de 20 caminhões de lixo de lá. Existe sim um
projeto definitivo de como vai ficar a Cidade da Criança, o que estamos fazendo
são pequenas readequações para atender algumas necessidades observadas pelo
Ministério Público, principalmente com relação à acessibilidade”, justifica.
Ele também comentou sobre a falta de energia elétrica no
local, e disse que enquanto o novo canteiro de obras não for devidamente
estabelecido, as obras que estão em andamento são a terraplanagem e a
regularização dos pisos. “Já pedimos que a Cosern fosse ligar a energia do
local, mas eles pediram um prazo de 40 dias para avaliar o projeto e dar um
parecer. Como isso já tem uns 20 dias, acredito que no final do mês a energia
esteja ligada”, afirma.
Segundo a assessoria de imprensa da secretaria de Infra
Estrutura, a questão já foi parar diretamente nas mãos da titular da
pasta, Kátia Pinto, que também cobrou junto à Cosern maior agilidade no estudo
do projeto e consequentemente na reativação da energia do local.
Entre as modificações na estrutura física da Cidade da
Criança, José Roberto comenta que o anfiteatro, antes em formato de concha
acústica, agora vai funcionar a céu aberto e que a inclusão digital também é um
dos principais pontos a serem atendidos. Além de uma escolinha de arte, o local
vai ganhar um auditório com capacidade para 100 pessoas.
“Tudo isso somado à biblioteca que já existe e novos
banheiros que estamos colocando também”, completa afirmando ainda que eles já
limparam a lagoa que dá o charme à Cidade da Criança. “Inclusive tivemos que
escavar a lagoa porque estava um pouco aterrada”, conta o engenheiro.
Ainda de acordo com José Roberto, o contrato com as empresas
responsáveis pela obra prevê que a reforma seja encerrada no mês de setembro.
Ou seja, tudo indica que o local esteja pronto para uso em outubro. Questionado
se o prazo deve ser cumprido, José Roberto é positivo e diz que é possível sim.
“Salvo algum imprevisto. Estamos nos preocupando com as chuvas que estão por
vir, mas vai dar tudo certo”, espera.
“A cidade da criança é um marco para Natal. Eu mesmo fui a
muitas quermesses lá quando era mais jovem e acho que após essa revitalização
ela vai voltar a ser o que era antigamente despertando inclusive o potencial de
atração turística que ela tem”, conclui o engenheiro.
A CIDADE DA CRIANÇA
A Cidade da Criança foi inaugurada em 1962 e nas décadas
seguintes conseguiu se consagrar com uma das boas opções na cidade para o entretenimento
infantil. Viveu décadas de excelente fase até que em 2007 o Ministério Público do
RN interditou o local pela falta se segurança em torno da lagoa. As
portas se fecharam definitivamente no primeiro semestre do ano seguinte
quando fortes chuvas destruíram as obras que estavam em andamento. Desde então, entre diversos “prazos prorrogados”, a Cidade da Criança permanece sem ver nenhum habitante.
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| Foto: Ney Douglas/NJ |


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