quinta-feira, 29 de agosto de 2013

CIDADE ENCANTADA

Matéria publicada no dia 11 de janeiro de 2013, no NOVO JORNAL

Era uma vez uma cidade construída somente para as crianças. Reza a lenda que os brinquedos eram coloridos, as árvores eram bonitas e que até mesmo no lago central os cisnes transportavam os pequenos em um passeio bem divertido. Mas um certo dia, ninguém sabe precisar direito, um monstro terrível começou a engolir a cidade, assim como Atlantis foi engolida pelo mar.

Seu nome era burocracia, tão terrível quanto os mais terríveis monstros da história. Ele conseguiu fechar as portas da cidade e afastar definitivamente os seus donos de lá. A vegetação cresceu, o lago ficou sujo e assim o monstro foi ficando mais forte, restando, portanto, aos mais velhos ou às crianças crescidas contar a história daquele lugar que um dia foi a divertida Cidade da Criança.

Hora de acabar o conto e começar a matéria. Pequenos, peçam agora que seus pais lhes expliquem melhor as próximas linhas. Pais, comecem explicando a seus filhos que de acordo com a previsão contratual, eles vão poder passar o próximo 12 de outubro na cidade delas já que a previsão para o término das obras que vão revitalizar a Cidade da Criança é o mês de setembro.

No entanto, para que esta matéria também não seja uma história da carochinha, o jeito é esperar que nenhum imprevisto atrapalhe o andamento das obras, a começar pela energia elétrica. Passa das oito da manhã pouca coisa quando o mestre de obras Açu Eris informa à reportagem que desde a retomada do serviço, em novembro do ano passado, o local não possui energia elétrica.

Foto: Ney Douglas/ NJ
“Por isso que a gente tá fazendo basicamente só os trabalhos manuais”, explica o mestre de obras enquanto os demais trabalhadores batem o cimento para ajeitar o nível das calçadas. “A palavra de ordem da reforma é acessibilidade e estamos regularizando as alturas para que tudo fique dentro das normas”, explica Açu apontando para a grande rampa que está sendo feita na entrada do auditório.

O tempo sem energia serviu principalmente para que o expediente (das 07 às 12h e das 13h às 17h) fosse aproveitado para a retirada do mato que tomava conta da paisagem. “A gente trabalhou até agora mais na limpeza mesmo porque para onde você olhasse era só mato. Não sei a conta exata, mas muito mato saiu daqui, fora uma árvore que caiu porque estava podre”, conta.

Ainda de acordo com Açu outro problema que está atrapalhando o andamento das obras é a incerteza com relação ao projeto que vem sendo modificado constantemente. Para exemplificar ele aponta algumas partes do novo auditório que está sendo construído e diz que vários ajustes vão precisar ser feitos por ali. “O local onde vai ficar as portas, por exemplo, sem falar que eu já mexi na borda do palco que era mais arredondada”, explica. “Mas estamos trabalhando sempre com um fiscal. Ele é que indica tudo que precisa ser feito”, garante.

"ESTAMOS DENTRO DO CRONOGRAMA"

O engenheiro responsável pela obra, José Roberto, da Secretaria de Infra Estrutura do Estado afirma que já existe um projeto definitivo e que as obras estão dentro do cronograma previsto. “Reiniciou-se em novembro e desde então já tiramos mais de 20 caminhões de lixo de lá. Existe sim um projeto definitivo de como vai ficar a Cidade da Criança, o que estamos fazendo são pequenas readequações para atender algumas necessidades observadas pelo Ministério Público, principalmente com relação à acessibilidade”, justifica.

Ele também comentou sobre a falta de energia elétrica no local, e disse que enquanto o novo canteiro de obras não for devidamente estabelecido, as obras que estão em andamento são a terraplanagem e a regularização dos pisos. “Já pedimos que a Cosern fosse ligar a energia do local, mas eles pediram um prazo de 40 dias para avaliar o projeto e dar um parecer. Como isso já tem uns 20 dias, acredito que no final do mês a energia esteja ligada”, afirma.

Segundo a assessoria de imprensa da secretaria de Infra Estrutura, a questão já foi parar diretamente nas mãos da titular da pasta, Kátia Pinto, que também cobrou junto à Cosern maior agilidade no estudo do projeto e consequentemente na reativação da energia do local.

Entre as modificações na estrutura física da Cidade da Criança, José Roberto comenta que o anfiteatro, antes em formato de concha acústica, agora vai funcionar a céu aberto e que a inclusão digital também é um dos principais pontos a serem atendidos. Além de uma escolinha de arte, o local vai ganhar um auditório com capacidade para 100 pessoas.

“Tudo isso somado à biblioteca que já existe e novos banheiros que estamos colocando também”, completa afirmando ainda que eles já limparam a lagoa que dá o charme à Cidade da Criança. “Inclusive tivemos que escavar a lagoa porque estava um pouco aterrada”, conta o engenheiro.

Ainda de acordo com José Roberto, o contrato com as empresas responsáveis pela obra prevê que a reforma seja encerrada no mês de setembro. Ou seja, tudo indica que o local esteja pronto para uso em outubro. Questionado se o prazo deve ser cumprido, José Roberto é positivo e diz que é possível sim. “Salvo algum imprevisto. Estamos nos preocupando com as chuvas que estão por vir, mas vai dar tudo certo”, espera.

“A cidade da criança é um marco para Natal. Eu mesmo fui a muitas quermesses lá quando era mais jovem e acho que após essa revitalização ela vai voltar a ser o que era antigamente despertando inclusive o potencial de atração turística que ela tem”, conclui o engenheiro.

A CIDADE DA CRIANÇA

A Cidade da Criança foi inaugurada em 1962 e nas décadas seguintes conseguiu se consagrar com uma das boas opções na cidade para o entretenimento infantil. Viveu décadas de excelente fase até que em 2007 o Ministério Público do RN interditou o local pela falta se segurança em torno da lagoa. As portas se fecharam definitivamente no primeiro semestre do ano seguinte quando fortes chuvas destruíram as obras que estavam em andamento. Desde então, entre diversos “prazos prorrogados”, a Cidade da Criança permanece sem ver nenhum habitante.

Foto: Ney Douglas/NJ



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